13.4.18

“O que foi?”, perguntas tu. 
E eu não sei assim muito bem. Só sei que faço muita força para não chorar e engulo em seco. 
Depressa adormeces e caem-me as lágrimas pela cara abaixo. 
Tem dias que me sinto muito sozinha. Parece parvo, mas é assim mesmo como me sinto.
Passo dias inteiros com uma pessoinha (que amo tanto), que (ainda) não fala. 
Bem posso desabafar... mas ele não me responde.
Volto a pensar na tua pergunta: “o que foi?”.
Tantas coisas. 
Foi que estou cansada.
Foi que há dias difíceis e tudo o que quero é que chegues a casa e me dês um abraço de segurança, em forma de “estou aqui”. Não precisa de ser sempre, mas quando preciso, calhava bem. 
Foi que preciso de ti quando chegas. E, por isto entende-se, entreter o pequeno enquanto eu respiro à janela durante 5 minutos, ou vá, faço chichi. 
Foi que preciso que garantas que eu me alimento. Porque nem sempre consigo comer uma refeição como deve de ser e não é por não querer!
Foi que o nosso bebé exige o nosso total sacrifício. “Sim Rita, tu já sabias que ia ser assim...”. Sabia. Mas é bem diferente vivenciares as experiências por ti próprio. 
Foi que às vezes me dói muito a cabeça.
Foi que não preciso de me sentir uma criminosa por querer e necessitar da tua atenção. Serei assim tão chata?
Foi que me sinto frágil ao ter esta grande responsabilidade em cima. E não há mal em sentir-me assim. Parece muito fácil, mas não é. 
Foi que estou cansada. Espera, já disse isso, não foi?

És óptimo. Não me imagino sem ti e sem o nosso companheirismo. Sei que sou exigente. Mas, também sei que me dedico 200% a vocês e muitas vezes fico eu para trás. E faz parte do teu papel cuidares de mim e olhares por mim quando eu estou demasiado ocupada a cuidar de vocês. 

Pronto, acho que foi isto. 

6.4.18



Estávamos em abril de 2017. Nada mais do que há precisamente um ano atrás. 
E nada menos do que no sítio onde estou. De frente para o rio Tejo a olhar para a ponte Vasco da Gama. 
Já era tua e nem sabia. 
Se me dissessem que num ano a minha vida iria transformar-se desta forma: ria-me e dizia que a pessoa provavelmente teria batido com a cabeça, para dizer uma coisa assim. 
Mas é verdade. 
Tudo mudou. 
Apaixonei-me. E de verdade. 
Apaixonei-me pelo homem que me trazia a passear até aqui. 
Agora, este tempo depois, continuo apaixonada. E pelo filho que me deu também. 
Estamos aqui os dois. 
Eu sentada com as pernitas cruzadas à chinês, a ouvir os meninos a brincarem no jardim das músicas e ele no seu ninho a dormir a sesta da tarde. 
É verdade. 
Tudo mudou. 
E se me disserem agora: “olha lá, já pensaste como a tua vida se transformou?”. Sorrio e afirmo que sim. Tinha de ser. Era a surpresa que estava destinada [a nós].
Tenho um Homem maravilhoso comigo. E fruto do nosso amor nasceu o nosso [primeiro] filho. 
Se morro de saudades de sermos só eu e o Diogo? Tem dias que morro sim. Não me atirem pedras, mas tenho saudades, sim senhora. 
Se imagino a vida sem o nosso filho? Nem pensar. Há lá coisa mais bonita do que a vossa soma e a da pessoa que mais amas?
Era abril. 
Hoje é abril. 
Abril é nosso. E o dia 25 também.