15.5.18

Já me questionei inúmeras vezes e não consigo chegar à raiz da questão. 
Quando começaram as minhas guerras interiores? 
Sei que passei a minha adolescência revoltada. Ouvir o meu último nome despoltava em mim um sentimento feio. Feio porque eu nunca consegui perceber o porquê de não ter o meu pai perto de mim e era um lembrete constante. Foi embora porquê? Fui afastada porquê? Porque não me telefonava? Nem nos meus aniversários? Quando o via, era estranho. Ele não me conhecia, nem eu a ele. O que se passou?
Cresci assim e comecei então a fechar-me no meu canto e ai de quem se quisesse chegar perto. 
Foram e continuam a ser anos com um grande porquê estampado no cérebro. 
Mais tarde... Encarregou-se a vida de colocar alguém na minha família que me tratou como uma filha. 20 anos. Foram 20 anos assim, não 20 dias. E da noite para o dia, tal e qual como apareceu, desapareceu. E doeu. Doeu a revelação. Doeu ao ponto de nunca mais querer vê-lo à frente. Espero, sinceramente, que assim seja.
Em 2013... A saudade. 
Essa cabra que nos deixa completamente impotentes. A saudade que não conseguimos calar. A que te bate à porta em momentos inesperados. A que te faz suspirar e sussurrar “que filha da puta de saudade”. Perdi uma grande parte do meu mundo quando perdi a minha Avó. A minha Avó. Era a minha luz. A minha guerreira. O meu abraço quentinho. Por quem eu chorava quando iam embora depois das férias. [E pelo Avô também.]. O meu poço de paciência. As minhas festinhas nas costas. A quem eu devia ter dado este mundo e o outro. Foi quem disse a uma grande amiga minha que: “posso ter 5 netos, mas ela foi a primeira...”. Era e é [todo o santo dia] um amor inigualável.
Quem me dera ter-te cá. Sabes lá tu Avó...

Há todo um conjunto de questões que a vida me desafiou a viver. Ultrapassam-me. Não posso fazer rigorosamente nada. Faz parte. É assim mesmo. Mas nem por isso deixam de me afectar. E estaria só a fingir ser super forte se não ficasse com mazelas. Tenho-as e refletem-se em muitos dos meus comportamentos. Não nego. 

O medo. O medo de perder. O medo de ir e não voltar. O medo de não eternizar o último momento. A necessidade de carinho e atenção. A memória sempre a mil, a gravar tudo o pode. A obrigatoriedade de registos. Tanta coisa, sei lá eu. 

Gostava de ser melhor pessoa. Gostava, sobretudo, de praticar a aceitação. Aceitar e pronto. Aceitar e bola para a frente. 

Sei que estas guerras me consomem. Não sei precisar quando começaram. Mas que têm de levar um GRANDE ponto final têm. Só não sei como. 

Sinto um sufoco.